A Santa Casa de Misericórdia de São Carlos mobilizou suas equipes especializadas nesta semana para realizar uma captação múltipla de órgãos e tecidos, a segunda registrada pela instituição em 2026. O doador, um homem de 63 anos, teve o procedimento autorizado pela família após o protocolo de morte encefálica, possibilitando que pacientes na fila de espera por transplantes recebam novas oportunidades de tratamento.
A operação logística e cirúrgica foi coordenada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) da Santa Casa, que atuou em conjunto com equipes enviadas pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foram captados rins, tecido ósseo e córneas, materiais que agora seguem para centros receptores seguindo os critérios de compatibilidade e urgência do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sensibilidade e Protocolo
O processo de doação de órgãos é marcado por uma complexa engrenagem técnica e humana. Segundo Tiago Clezer, coordenador de Enfermagem da Santa Casa e membro da CIHDOTT, o acolhimento aos familiares é o pilar que sustenta a viabilidade da captação. “Trabalhamos com empatia junto à família, acolhendo sua decisão e conduzindo cada etapa com responsabilidade, para que esse gesto possa beneficiar outras vidas”, explica.
O sucesso da captação múltipla depende de um cronograma rigoroso de manutenção do doador e agilidade no transporte dos órgãos, garantindo a viabilidade dos tecidos. A parceria com o centro de Ribeirão Preto é fundamental para o suporte técnico avançado exigido em casos de múltiplos órgãos.
Conscientização
O provedor da Santa Casa, Antonio Valério Morillas Junior, enalteceu a postura da família do doador e o empenho do corpo clínico. Para o administrador, o resultado é reflexo de um trabalho contínuo de conscientização. “A doação é um ato de solidariedade que faz a diferença para muitas pessoas. Esse resultado é fruto do trabalho comprometido das equipes e da confiança das famílias, mesmo em momentos delicados”, pontuou.
Atualmente, a legislação brasileira exige que a doação de órgãos seja autorizada por familiares de primeiro ou segundo grau. Por esse motivo, as autoridades de saúde reforçam a orientação de que os cidadãos manifestem em vida o desejo de ser doador. O diálogo familiar é apontado como o principal fator para reduzir as taxas de negativa e aumentar as chances de sobrevivência de milhares de brasileiros que dependem de um transplante.





















