A Câmara Municipal de São Carlos recebeu, na noite de quarta-feira, 29 de abril, uma audiência pública para discutir o Plano Municipal de Arborização Urbana. O encontro, presidido pelo vereador Djalma Nery (PSOL), reuniu autoridades, especialistas e moradores para apresentar o diagnóstico da floresta urbana da cidade, além do prognóstico e da proposta de lei que deve orientar o manejo e a expansão da cobertura verde.
O relatório técnico, elaborado pela Esalq-USP sob coordenação do professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, aponta que São Carlos possui cerca de 55 mil árvores nas vias públicas, o equivalente a 29 árvores por quilômetro de calçada. O índice é considerado baixo para garantir conforto térmico e maior resiliência climática. Segundo Demóstenes, o potencial do plano é triplicar os benefícios ambientais proporcionados pela arborização.
A proposta prevê o plantio de 94 mil novas árvores, com prioridade para espécies nativas de grande copa, como ipês e jacarandás. A meta busca reduzir ilhas de calor, melhorar o conforto térmico e aproximar a cidade da chamada Regra 3-30-300, que recomenda que cada morador aviste ao menos três árvores, que cada bairro tenha 30% de cobertura arbórea e que ninguém esteja a mais de 300 metros de uma área verde.

Durante a audiência, o vice-prefeito Roselei Françoso destacou o impacto ambiental e econômico da iniciativa. Segundo ele, o investimento previsto é de R$ 18 milhões, com retorno estimado em mais de R$ 540 milhões ao longo de 20 anos, por meio da redução de enchentes, tragédias e impactos climáticos.
O promotor Sérgio Domingos de Oliveira, do Ministério Público, defendeu a importância do planejamento para evitar ações isoladas e pouco eficientes. Já o secretário de Clima e Meio Ambiente, Júnior Zanquim, afirmou que a participação popular é essencial para construir um plano adequado à realidade do município.
Além das metas de plantio, o projeto propõe mudanças legais para o manejo da arborização. Podas drásticas passarão a ser consideradas infração grave; árvores monumentais, classificadas como Árvores de Interesse Público, terão proteção especial; e cada árvore suprimida deverá ser compensada com novo plantio na mesma microbacia. O texto também prevê limite de 10% para qualquer espécie no total urbano, como forma de reduzir riscos de pragas e doenças.


















