PAULO MELLO
Em nova assembleia realizada na tarde/noite desta quarta-feira (15), na Praça do Mercado Municipal de São Carlos, os servidores municipais grevistas decidiram aceitar a nova proposta apresentada pela Prefeitura e encerrar a greve. O acordo foi fechado após o prefeito Netto Donato (PP) ampliar em R$ 60 o valor oferecido na proposta de terça-feira, totalizando um acréscimo de R$ 120 e elevando o tíquete-refeição para R$ 1.320. No processo de votação, 37 servidores rejeitaram a proposta e 41 se abstiveram.
A nova oferta foi apresentada no início da tarde, depois de mais uma rodada de negociação entre representantes da administração municipal e do SINDSPAM (Sindicato dos Servidores Público e Autárquicos Municipais de São Carlos, Dourado e Ibaté). Segundo o prefeito, a proposta mantém a reposição inflacionária pelo IPCA, garante o tíquete de R$ 1.320 para todos os servidores, confirma a manutenção da cesta básica e assume o compromisso de encaminhar, no segundo semestre deste ano, o projeto do Plano de Carreira à Câmara Municipal, com implantação prevista para 1º de janeiro de 2027. Netto Donato afirmou que a Prefeitura buscou construir uma saída possível dentro dos limites legais e da responsabilidade fiscal, sem deixar de contemplar avanços concretos para a categoria.
Outro ponto sensível tratado nas negociações foi a situação dos dias parados durante a greve. De acordo com o prefeito, a compensação será discutida entre os setores jurídicos e administrativos da Prefeitura e do sindicato, já que a legislação não permite simplesmente anular as faltas. A administração também citou os impactos da paralisação, como a suspensão de aulas para mais de 10 mil crianças e a necessidade de destinar alimentos da merenda a entidades assistenciais e asilos para evitar perdas.

Durante a assembleia, o vice-presidente do SINDSPAM, Lucinei Custódio, fez um longo esclarecimento à categoria sobre o risco jurídico que passou a cercar a continuidade do movimento. Ele afirmou que uma nova interpretação da decisão judicial passou a exigir a manutenção de 70% dos servidores em atividade não apenas no conjunto do serviço público, mas em cada unidade e também em cada função. Segundo ele, isso tornava muito difícil sustentar a greve, já que em vários setores uma simples paralisação individual já comprometeria o percentual mínimo exigido pela Justiça.
Lucinei alertou ainda que a audiência de conciliação marcada para esta quinta-feira (16) poderia resultar tanto na continuidade da greve sob regras mais rígidas quanto na decretação de ilegalidade do movimento, com retorno obrigatório ao trabalho, multa diária de R$ 10 mil e desconto dos dias parados. O dirigente sindical disse que o sindicato tinha consciência de que a situação havia se tornado irregular após a nova decisão, embora ainda não tivesse sido oficialmente notificado, e explicou que a entidade optou por manter a mobilização até aquele momento para garantir presença em frente à Prefeitura e arrancar uma nova rodada de negociação.
Ao defender a aceitação da proposta, Lucinei reconheceu que a oferta não era a dos sonhos da categoria, mas avaliou que houve avanço. Ele destacou especialmente a possibilidade de compensação dos dias parados sem desconto imediato, classificando esse ponto como uma conquista importante, além do aumento no tíquete e do compromisso com o plano de carreira. Para o vice-presidente do SINDSPAM, o movimento cumpriu seu papel ao pressionar a administração, reabrir o diálogo e conquistar melhorias em relação às ofertas anteriores.
Com a aprovação da proposta, a greve chega ao fim em São Carlos, encerrando um período de forte tensão entre servidores e administração municipal. A decisão abre caminho para a retomada dos serviços, para o avanço das tratativas sobre reposição dos dias parados e para a tentativa de pacificação do cenário, inclusive no campo judicial.


















