O Teatro Municipal “Dr. Alderico Vieira Perdigão” transformou-se em um laboratório artístico nesta quinta-feira (23/04) ao receber duas oficinas de cianotipia. Ministradas pela artista visual Priscila Bellotti, as atividades fazem parte da programação da exposição itinerante “Mulheres na Ciência”, uma iniciativa do Instituto Angelim que busca democratizar o acesso ao conhecimento e à produção cultural.
A cianotipia é um processo de impressão fotográfica desenvolvido em 1842, célebre por gerar imagens em tons intensos de azul (o “azul da Prússia”). A técnica fundamenta-se no uso de sais de ferro que, quando expostos à luz ultravioleta, permitem a transferência de formas a partir de negativos, plantas ou objetos para superfícies como papel, tecido e madeira.

Ciência e Estética
Embora tenha surgido como um método técnico para a reprodução de documentos e plantas arquitetônicas — sendo a precursora das fotocópias —, a técnica encontrou novo fôlego nas artes visuais contemporâneas. “Embora não seja mais utilizada como método técnico de reprodução, a cianotipia ganhou espaço em processos autorais, ampliando suas possibilidades estéticas e criativas”, explicou a artista Patricia Bellotti.
Durante a oficina, os participantes exploraram conceitos fundamentais da fotografia analógica, incluindo:
- Tempo de exposição: O período necessário sob a luz para a fixação da imagem.
- Sensibilização: A preparação química das superfícies.
- Variáveis do processo: O uso de negativos em papel vegetal e transparências combinados a elementos botânicos.

Formação e Público
Para a artista Priscila Bellotti, a realização do evento em São Carlos é simbólica devido à vocação acadêmica da cidade. Segundo ela, houve uma adesão significativa de estudantes, principalmente da área de humanidades, atraídos pelo diálogo entre a técnica e a exposição em cartaz.
Mirlene Simões, coordenadora de projetos do Instituto Angelim, destacou que a ação cumpre um papel social duplo. “As oficinas permitem discutir o papel da ciência e suas aplicações, ao mesmo tempo em que proporcionam uma experiência prática. Muitos participantes não conheciam o Teatro Municipal, o que amplia o alcance cultural da ação”, afirmou.
As oficinas integram o cronograma do Ponto de Cultura do Instituto Angelim, vinculado à Lei Cultura Viva, reforçando o estímulo às práticas artísticas e científicas de forma gratuita e acessível à população.





















