
Rui Sintra – IFSC/USP
Uma investigação científica internacional, com participação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), apresenta resultados promissores no desenvolvimento de um sensor eletrônico flexível, capaz de identificar, em poucos segundos, alterações químicas importantes para o acompanhamento da saúde humana.
O estudo, publicado na revista científica Biosensors and Bioelectronics, reuniu pesquisadores do Imperial College London, no Reino Unido, da Universidade de Catania, na Itália, e do IFSC/USP, contando com a participação dos cientistas brasileiros DR. Thiago Serafim Martins e Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior.
A tecnologia utiliza o grafeno, um material extremamente fino, resistente, flexível e excelente condutor de eletricidade, para desenvolver sensores capazes de identificar alterações de acidez (pH) e concentrações de sódio e potássio, elementos fundamentais para o equilíbrio do organismo, funcionamento muscular e transmissão de impulsos nervosos.
Uma das principais inovações reside na capacidade de monitorar simultaneamente dois indicadores químicos, como o pH e o sódio, ou o pH e o potássio, sem interferências significativas entre as medições.
Os resultados laboratoriais demonstraram elevada sensibilidade. O dispositivo conseguiu identificar alterações de pH de apenas 0,016 unidade, apresentando tempos de resposta entre dois e oito segundos. Além disso, manteve um desempenho satisfatório quando submetido a curvaturas de até 120 graus e a 500 ciclos de flexão, características essenciais para futuras aplicações em dispositivos utilizados diretamente sobre a pele.
Outra etapa importante envolveu experiências com suor artificial, nas quais os sensores conseguiram detectar variações dos três indicadores estudados. Foram igualmente realizados testes com soluções que simulam determinadas características dos líquidos presentes em feridas, ampliando as possibilidades de futuras aplicações.
A perspectiva é que esta tecnologia possa integrar pequenos dispositivos vestíveis, semelhantes a adesivos eletrônicos, permitindo acompanhar determinadas alterações químicas do suor durante atividades físicas ou em situações que exijam monitoramento fisiológico.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores sublinham que a tecnologia ainda necessita de estudos adicionais e validação clínica em seres humanos. As concentrações de sódio e potássio presentes no suor, por exemplo, não correspondem necessariamente às encontradas no sangue.
A possibilidade de fabricação por processos de impressão constitui outra vantagem, abrindo perspectivas para uma produção em maior escala e potencialmente mais acessível.
A participação dos pesquisadores do IFSC/USP reforça a importância da ciência brasileira no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, demonstrando como a colaboração internacional entre diferentes áreas do conhecimento pode contribuir para encontrar soluções destinadas a melhorar a qualidade de vida.
Embora ainda exista um caminho a percorrer entre os resultados laboratoriais e a utilização clínica, esta investigação representa um avanço significativo na procura de dispositivos capazes de aproximar o acompanhamento da saúde do cotidiano das pessoas.
Uma película de carbono, praticamente invisível aos nossos olhos, poderá, no futuro, transformar a maneira como determinados sinais do organismo são acompanhados, abrindo novas perspectivas para uma medicina cada vez mais preventiva, personalizada e próxima do paciente.
Clique no link para conferir o estudo original – https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/10/1-s2.0-S0956566326006895-main-chu.pdf



























