
Ata com gosto de revanche
Ivani do Cruzado abriu os trabalhos cobrando respeito. Disse que foi “humilhada” por um colega na sessão anterior ao ser questionada sobre diversidade. O nome do alvo não apareceu. Quando não se dá o nome, normalmente o plenário inteiro já sabe quem é.
Convite esquecido
Jaque Motta e professor Hícaro demonstraram incômodo por não terem sido convidados para uma reunião sobre os atendimentos de crianças com TEA, apesar de afirmarem ter solicitado participação. Foram mesmo assim. Convite, pelo visto, virou detalhe burocrático.
Sem convite, mas presentes
Jaque fez questão de repetir que ela e Hícaro não foram chamados, mas compareceram a pedido das mães. Quando político repete duas vezes que não recebeu convite, pode apostar: o café até desceu, mas atravessado.
Até quando?
Hícaro questionou a dependência de emendas parlamentares para manter os atendimentos das crianças com TEA e perguntou até quando o serviço dependerá disso. Política pública permanente sustentada no chapéu dos vereadores é uma estabilidade meio instável.
Sem lágrimas, por favor
Ainda sobre o atendimento às crianças, Hícaro soltou uma das frases fortes da sessão: não deveria ser necessário fazer “secretário, secretário adjunto, prefeito chorar” para uma política pública continuar. Se chegou à fase do lenço, alguma coisa já saiu dos trilhos.
Foto bonita não corta mato
Elizeu do Cruzado disparou contra a área de Esportes. Disse que o secretário Giliardi Nishihara gosta de postar fotos nas redes sociais, mas que “a realidade é outra”, citando problemas no Jardim Icaraí. Instagram aceita filtro. Mato, infelizmente, não.
O caldo engrossou
Na sequência, outro vereador afirmou que o responsável pelo Esporte estaria “deixando a desejar” e anunciou intenção de recorrer ao Ministério Público caso não haja providências sobre recursos destinados ao campo do Jardim Cruzado. Aí a pimenta deixou de ser biquinho.
“Não vai ficar impune”
A intervenção foi além: o vereador afirmou que tomaria providências contra o responsável pela pasta e declarou que a situação “não vai ficar impune”. Quando essa expressão entra na sessão, o cafezinho do intervalo já perde o açúcar.
“Aqui não passa nada”
No mesmo embalo, veio outra pedrada: “aqui nessa Casa é difícil de apresentar alguma coisa, aqui não passa nada”. Se a crítica veio de dentro do próprio Legislativo, imagina o comentário do lado de fora.
Chafariz da discórdia
Elizeu também apontou abandono no chafariz próximo à Prefeitura e à Câmara, citando lodo no local. Obra pública tem dessas: quando inaugura, rende foto. Quando aparece lodo, rende pronunciamento.
Pensa nisso, prefeito
Na cobrança por um novo Refis, Elizeu mandou Ronaldo Venturi colocar a cabeça no travesseiro e pensar na situação da população. Consultoria administrativa noturna, gratuita e transmitida ao vivo.
“Tá achando que tá bem?”
Depois veio a pancada mais direta: disse que há pessoas “brindando” o prefeito e disparou: “Tá achando que tá bem? Não tá bem”. Em seguida, lembrou que eleição vem aí. Faltou apenas colocar aviso de recebimento no recado.
Depois pode ser tarde
Elizeu completou dizendo que a eleição se aproxima e que “depois pode ser tarde”. Em política, quando alguém começa a colocar eleição municipal futura na mesma frase de uma cobrança administrativa, a campanha já está piscando lá no horizonte.
Requerimento barrado
Elizeu também reclamou de um requerimento que acabou negado. O objetivo, segundo ele, era verificar relatos de empresas que estariam com pagamentos atrasados há mais de 60 dias. Sem requerimento aprovado, ficou sem resposta. Transparência ficou na sala de espera.
Não acusou, mas queria saber
Elizeu deixou claro que não estava acusando a Prefeitura de dever empresas. Justamente por isso queria documentos para saber se os relatos eram verdadeiros. Fiscalização parlamentar sem informação é quase investigação com venda nos olhos.
De R$ 129 para R$ 1.690
Professor Hícaro levou à tribuna a discussão sobre a taxa da SIVISA. Segundo ele, valores que anteriormente giravam em R$ 129 teriam chegado a R$ 1.690 para parte dos estabelecimentos. É o tipo de reajuste capaz de fazer comerciante conferir o boleto três vezes.
Cadê o projeto?
Hícaro contou que havia preparado proposta para regulamentar a taxa, mas segurou o projeto após pedido do prefeito, que apresentaria uma iniciativa do Executivo. Segundo o vereador, o texto chegou à Câmara com necessidade de ajustes. Promessa política também precisa passar pela revisão.
Direita, esquerda e Bíblia
Hícaro falou sobre cristianismo, desigualdade e políticas sociais. Depois, Gilmar Santos abriu sua fala com “Deus, pátria, família e liberdade”. Ninguém precisou anunciar debate ideológico. Ele simplesmente apareceu.
Cristão não adora arma
Hícaro também declarou: “Cristão não adora arma”. A frase foi feita no contexto de sua defesa de princípios cristãos e políticas sociais. Era sessão da Câmara de Ibaté, mas por alguns minutos o debate parecia nacional.
Deus, pátria…
Pouco depois, Gilmar respondeu ao tema religioso com “Deus, pátria, família e liberdade”. Não citou Hícaro nominalmente como adversário, mas começou justamente fazendo referência ao que o professor havia falado. Coincidência política das mais convenientes.
A peregrinação de Gilmar
Gilmar relatou uma verdadeira romaria administrativa para tentar acelerar a abertura do hospital voltado a dependentes químicos: Vigilância Sanitária, Saúde, Engenharia e Prefeitura. Faltou apenas pegar senha e retornar ao primeiro guichê.
44 processos na fila
Segundo o relato de Gilmar, uma servidora da Vigilância teria informado que havia 44 processos e falta de pessoal para atender toda a demanda. Burocracia já é devagar por natureza. Com fila e equipe reduzida, ganha freio de mão.
Engenheiro canivete suíço
Gilmar afirmou ainda que encontrou um engenheiro acumulando atribuições na Defesa Civil, Vigilância Sanitária, Obras e acompanhamento de projetos. Se for exatamente assim, Ibaté não tem apenas um engenheiro. Tem praticamente uma secretaria inteira dentro do mesmo crachá.
Um ano pagando aluguel
O vereador disse que os responsáveis pelo hospital estariam pagando aluguel havia mais de um ano enquanto aguardam liberações. Investimento correndo de um lado e papelada caminhando do outro. Adivinhe quem parece estar ganhando a corrida.
Blitz ou segurança?
Hícaro também questionou a atuação da Polícia Militar no Jardim Cruzado. Disse perceber muitas blitzes na entrada do bairro e perguntou se carros de trabalhadores seriam realmente o maior problema de segurança de Ibaté. A pergunta foi retórica. E bem pouco discreta.
Pneu careca x drogas
O vereador reconheceu que pneu careca é infração, mas contrapôs a fiscalização de trânsito aos problemas envolvendo drogas. Citou inclusive apreensões recentes feitas no município. Tradução: para Hícaro, talvez a mira esteja calibrada para o alvo errado.
Projeto voltou
Hícaro lembrou ainda que uma proposta sua havia sido rejeitada no ano anterior, quando colegas pediram alterações. Disse que fez as mudanças e apresentou novamente. Desta vez, passou. Persistência parlamentar ou teimosia legislativa? Depende do lado do plenário.
Regimento vintage
Hícaro criticou as regras do Regimento Interno e defendeu que indicações não precisem da aprovação dos colegas para simplesmente seguirem ao prefeito. Câmara digital, transmissão ao vivo e regra interna com cheiro de arquivo morto.
“Ficou ridículo”
Ao comentar um ponto relacionado a processo administrativo disciplinar, Hícaro abandonou o juridiquês e resumiu: “ficou ridículo”. Há frases que precisam de três páginas de parecer. Essa precisou de duas palavras.
Uma homenagem em quase 20 anos
Durante homenagem ao professor Elson, Hícaro perguntou quantas vezes ele havia sido homenageado pela Câmara. A resposta foi uma. O vereador disse sentir alegria e “um pouco de vergonha”. Pelo menos a autocrítica também ganhou espaço no plenário.
Outubro promete
Teve cobrança ao prefeito, secretário na berlinda, Ministério Público mencionado, requerimento barrado, discussão ideológica, taxa polêmica, TEA, hospital emperrado e até conselho para Ronaldo pensar na vida antes de dormir. Tudo isso ainda em setembro. Outubro promete.





















