
CORTE NO HOLERITE
O professor Hícaro Costa (PT) encerrou a sessão da Câmara de Ibaté, ontem, com uma denúncia pesada: afirmou que teve metade do subsídio cortada por deixar uma sessão antes do fim. Falou em afronta pessoal, perseguição política e disse que o caso já está com sua advogada. Quando o debate sai do regimento e entra no bolso do vereador, a temperatura do plenário sobe mais rápido que requerimento em dia de crise.
DA BOCA DA FILHA
Aliás, o professor Hícaro elevou o tom ao comentar o corte de metade de seu subsídio na Câmara de Ibaté. Segundo o vereador, a decisão atingiu diretamente o orçamento familiar. “Sai da boca da minha filha”, afirmou. Quando a disputa política chega à mesa de casa, a pimenta deixa de ser figura de linguagem.
METADE DO SUBSÍDIO, DOBRO DO BARULHO
Hícaro classificou o desconto como uma afronta pessoal e prometeu não baixar a cabeça. A Câmara ainda precisa esclarecer qual regra autorizou a redução. Até lá, sobra uma pergunta indigesta: foi aplicação objetiva do regimento ou a conta de uma briga política?
TELEFONE, WHATSAPP E CONTRADIÇÃO
Elizeu do Cruzado (PL) reclamou que setores da Prefeitura de Ibaté deixaram de responder suas mensagens e que até bloqueio no WhatsApp teria aparecido no caminho. Viviane da ONG (Podemos), por sua vez, rebateu e disse que marcou reunião com prefeito e secretários, mas o vereador não teria comparecido. Em Ibaté, pelo jeito, fiscalização agora depende de sinal, crédito, agenda e print.
REQUERIMENTO DOS OUTROS
Viviane da ONG (PODEMOS) voltou a apresentar requerimentos, mesmo depois de já ter criticado pedido parecido do professor Hícaro, dizendo que bastaria “um telefonema” à Secretaria de Educação. Fiscalizar é obrigação de vereador. O problema é quando o telefone só resolve quando o requerimento sai do gabinete dos outros.
MP NO RADAR
Waldir Siqueira (PRD) subiu o tom e ameaçou procurar o Ministério Público contra secretários que, segundo ele, não estariam atendendo os vereadores. Também falou em possível apuração pela Câmara, caso encontre irregularidades. Quando vereador começa a citar MP no microfone, secretário já procura agenda, protocolo e talvez até um chá de camomila.
CULTURA COM BARULHO
A verba da Política Nacional Aldir Blanc dividiu o plenário. Parte iria para a Pirâmide da Mata do Alemão, parte para instrumentos e cerca de R$ 70 mil para artistas, mas Hícaro pediu adiamento para ouvir a classe cultural. O pedido caiu, o projeto passou e a cultura saiu aprovada, mas com aquele tempero de bastidor: dinheiro público sem diálogo sempre deixa alguém batucando indignação.
FÓRUM EM DISPUTA
No projeto do Fórum Municipal de Educação, Hícaro tentou impedir que cargos comissionados assumissem a presidência do colegiado. A emenda foi rejeitada, e o vereador chamou a decisão de retrocesso. Em bom português: queriam um fórum mais independente, mas a maioria preferiu deixar a porta aberta para o Executivo sentar na cabeceira da mesa.
CAMINHÃO SEM MOTOR?
Elizeu pediu explicações sobre um caminhão alugado que, segundo ele, estaria parado, abandonado e sem motor, apesar de haver pagamentos identificados no contrato. A pauta tem cheiro forte de fiscalização e pede documento na mesa: contrato, comprovantes e resposta oficial. Porque caminhão sem motor até fica parado; o dinheiro público é que não pode andar sozinho.
TINTA NA ESCOLA
A pintura do muro da Escola Augusta Donatoni Valério entrou na mira de Elizeu, que apontou possível desperdício de dinheiro público por falta de preparo da superfície. Hícaro ampliou a cobrança e criticou obras durante o período de aulas. Quando tinta fresca vira transtorno, a escola deixa de ganhar cor e começa a manchar a gestão.
FOGO NO CENTRO
Após um aparelho de ar-condicionado pegar fogo no Centro de Terapias, Hícaro pediu alvarás, licenças e documentos de regularidade do prédio. O vereador disse ter recebido, de forma informal, informação sobre possível ausência de extintor no local. Como a denúncia ainda precisa de confirmação oficial, a pergunta fica no ar: tinha prevenção ou só sorte?
TAXA SALGADA
Hícaro também apontou que uma taxa sanitária teria saltado de R$ 129 para R$ 1.690 após a adoção da tabela estadual. O vereador anunciou projeto para fixar um valor municipal em torno de R$ 284. Se a conta estiver correta, não foi reajuste: foi uma subida de elevador sem avisar o contribuinte no térreo.
FOLHA NO APERTO
A Prefeitura encaminhou crédito suplementar de até R$ 6,357 milhões para acertar salários e obrigações patronais em várias secretarias. Remanejamento existe, mas valor desse tamanho pede explicação com lupa: de onde sai, para onde vai e quem perde orçamento no caminho. Vereador que aprova milhões sem perguntar vira mais carimbador do que fiscal.
SALÁRIO AINDA QUEIMA
A discussão sobre os salários dos secretários de Ibaté segue quente. A Justiça, em primeira instância, derrubou leis que elevaram os subsídios para R$ 14.263 e restabeleceu o valor de R$ 9 mil. A sentença ainda pode ser contestada, mas a pergunta continua no ar: o governo vai recorrer ou vai explicar, com números, por que o aumento continua sendo indispensável embora o aumento é herança do governo anterior? Perguntar não ofende!

























