
Sessão quente em Ibaté
A Câmara de Ibaté teve uma daquelas sessões em que o plenário começa com homenagem, passa por servidor público, mergulha na saúde, tropeça no PAD e termina com vereador falando em politicagem. Se faltou ar-condicionado, sobrou calor político.
Educação no altar, servidor no balcão
Gilmar Santos (PL) abriu espaço para um dos momentos mais bonitos da sessão ao homenagear os profissionais da educação de Ibaté. Teve emoção, reconhecimento, respeito e gratidão a quem segura a escola pública no dia a dia. A iniciativa foi justa, necessária e mostrou sensibilidade política. O que ficou para reflexão não é a homenagem de Gilmar, que foi muito bem colocada, mas o contraste da própria sessão: depois dos aplausos aos educadores, vieram debates duros sobre direitos, valorização e proteção ao servidor público.
Moção não paga boleto
Os profissionais da educação merecem todas as homenagens. Mas servidor público também precisa de salário decente, condição de trabalho, segurança jurídica e respeito diário. Diploma de congratulação é bonito na parede; difícil é ele ajudar no mercado no fim do mês.
Hícaro abriu a caixa do PAD
O professor Hícaro Costa (PT) resolveu mexer no vespeiro do Processo Administrativo Disciplinar. Questionou cassação de aposentadoria, denúncia anônima, uniforme, crachá, exames médicos, seguro de vida, diária de motoristas e regras que podem pesar no lombo do servidor. Foi tanta indicação que a sessão quase virou cursinho intensivo de direito administrativo.
Aposentadoria com interrogação
Hícaro questionou qual seria a base legal para cassar aposentadoria ou disponibilidade de servidor, especialmente quando há vínculo com INSS. A dúvida é séria. Aposentadoria não é brinde de festa para ser dada ou tirada conforme o humor da caneta política.
Denúncia anônima, medo conhecido
Outro ponto sensível foi a possibilidade de denúncia anônima dentro do PAD. Em tese, pode parecer controle. Na prática, em cidade pequena, pode virar munição para perseguição, fofoca institucional e acerto de contas com carimbo oficial.
Servidor vigiado, comissionado poupado?
Hícaro também pediu para deixar claro que cargos comissionados entrem nas regras do PAD. A ideia foi negada. Aí a pimenta pega: se a lei pesa para servidor efetivo, mas deixa brecha para indicado político, a disciplina começa a parecer seletiva.
Uniforme sem uniforme
A lei fala em servidor bem trajado e identificado. Hícaro pediu uniforme e crachá para todos. Negado com voto minerva da presidente Viviane Serafim (PODEMOS). Ou seja: cobra-se apresentação, mas não se garante estrutura. É como exigir terno para ir trabalhar e entregar só o cabide.
Seguro de vida ficou pelo caminho
A proposta de estudar seguro de vida para servidores também foi rejeitada. Motorista, eletricista, profissional da saúde, limpeza hospitalar e outros servidores seguem se expondo a riscos. Na hora do discurso, são essenciais. Na hora da proteção, a conversa muda de calçada.
Waldir destoou do coro
Waldir Siqueira (PRD) discordou da postura de votar contra as indicações e disse que, no seu entendimento, elas poderiam seguir ao prefeito para análise. Foi uma fala importante, porque lembrou o básico: indicação não obriga o Executivo, mas permite que a ideia seja avaliada. Às vezes, o “não” fala mais sobre política do que sobre conteúdo.
Eliseu colocou sal na ferida
Eliseu do Cruzado (PL) não aliviou. Disse que muitas pautas eram relevantes para o funcionalismo e criticou o fato de servidores ganharem pouco enquanto outras discussões de aumento aparecem na política. Quando alguém fala em salário baixo na tribuna, tem vereador que olha para o teto e servidor que olha para o holerite.
Repúdio com cadeira vazia
Depois de várias negativas, Hícaro pediu licença e deixou a sessão “em forma de repúdio” aos colegas servidores municipais. Foi uma cena forte. Às vezes, sair do plenário faz mais barulho do que ficar falando dez minutos.
Saúde no centro da fogueira
Eliseu voltou a cobrar a saúde de Ibaté. Falou de demora, encaixes, exames, paciente idoso esperando resultado e dificuldades no PSF do Jardim Esfer. A crítica foi direta ao prefeito Ronaldo Venturi (PSD): abrir os olhos antes que a reclamação das ruas vire diagnóstico político.
Três meses para ver exame?
A fala sobre uma senhora de 71 anos esperando quase três meses para passar por avaliação de exame pegou pesado. Saúde pública não pode virar teste de paciência. Para quem está doente, cada semana de espera parece um mandato inteiro.
WhatsApp oficial da angústia
Eliseu também cobrou um canal oficial entre vereadores e secretarias. Segundo ele, há secretários que não respondem mensagens. Quando a resposta não vem no WhatsApp, a cobrança vai para live, tribuna e rede social. A gestão perde no silêncio e apanha no alto-falante.
Secretário invisível
Se vereador precisa ficar “plantado” em unidade de saúde esperando alguém responsável, tem algo errado na engrenagem. Secretário não precisa estar em todo lugar, mas precisa ter fluxo, substituto, resposta e comando. Administração sem retorno vira telefone sem fio institucional.
Viviane tentou apagar incêndio
A presidente Viviane Serafim se colocou à disposição para fazer uma ponte entre Eliseu e o prefeito Ronaldo Venturi. Foi uma tentativa de baixar a temperatura. Mas quando a ponte precisa ser construída no meio da sessão, é sinal de que a estrada institucional já estava esburacada.
Ivani pediu Delegacia da Mulher
Ivani do Cruzado (PSDB) apresentou indicação para solicitar ao Governo do Estado a implantação de uma Delegacia da Defesa da Mulher ou atendimento especializado em Ibaté. Pauta necessária e urgente. Em tempos de violência crescente, mulher não pode depender de sorte para ser acolhida.
Agosto Lilás não pode ser só laço
A Câmara também aprovou moção aos profissionais da rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Justo. Mas o Agosto Lilás precisa ir além de discurso, foto e homenagem. O combate à violência exige atendimento rápido, estrutura, acolhimento e agressor respondendo de verdade.
Gilmar sacou a palavra politicagem
No fim da sessão, Gilmar Santos subiu o tom contra aquilo que chamou de politicagem. Disse que vai votar contra projeto, indicação ou requerimento se perceber interesse político por trás. A frase é forte. O risco é que, em Câmara Municipal, quase tudo pode ser chamado de politicagem.
Politicagem virou guarda-chuva
Depois que a palavra apareceu, cabia de tudo embaixo dela: voto contrário, rede social, crítica, fala de servidor, disputa de bastidor e mágoa da sessão anterior. Politicagem, no plenário, é igual pimenta: cada um coloca no prato do outro.
Ivani rebateu as cobranças
Ivani do Cruzado também entrou no debate e disse que foi questionada por servidores após a sessão anterior. Reforçou que sabe votar, que consulta o jurídico quando precisa e que não aceita ser ensinada por colega. Em tradução política: pode criticar, mas não venha corrigir minha lição de casa em público.
Zangão virou personagem
Ivani ainda comentou que foi chamada de “zangão” e disse ter ficado feliz, porque zangão é bravo. Na política local, até apelido ganha discurso. E quando apelido rende fala de tribuna, a colmeia já está toda agitada.
Gilmar defendeu a Educação
Gilmar fez questão de dizer que a homenagem aos profissionais da educação não foi politicagem. Também elogiou a secretária municipal de Educação, Rosângela Maria Oliveira de Souza, a Nova, e o trabalho da pasta. O recado teve endereço: separar homenagem de disputa política.
Educação magnífica, mas com ajustes
Ivani afirmou que educação, saúde e segurança pública de Ibaté estão no caminho certo, embora faltem ajustes. A frase é boa para base governista. Mas para quem está esperando consulta, transporte, exame ou resposta de secretaria, “ajuste” pode parecer palavra pequena para problema grande.
Câmara dividida, pimenta garantida
A sessão mostrou uma Câmara dividida entre homenagens, cobranças e ressentimentos políticos. Gilmar defendeu seus votos. Hícaro protestou. Eliseu cobrou. Waldir ponderou. Ivani rebateu. Viviane tentou conciliar. E o servidor ficou assistindo para descobrir se era protagonista ou figurante.
A pergunta da noite
Afinal, a Câmara discutiu o interesse público ou mediu força política? Talvez os dois. Mas uma coisa é certa: quando servidor vira tema, saúde vira cobrança e politicagem vira acusação, a sessão deixa de ser morna e entra direto no cardápio da Coluna APIMENTANDO.






















