PAULO MELLO
Em entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, na manhã desta terça-feira (14), o assessor de gabinete do prefeito Netto Donato (PP), Dr. Ernesto Paulino, afirmou que a Prefeitura de São Carlos mantém abertas as negociações com os servidores públicos municipais e trabalha em uma nova contraproposta ao Sindspam (Sindicato dos Servidores Público e Autárquicos Municipais de São Carlos, Dourado e Ibaté). Segundo ele, uma reunião realizada nesta segunda (13), entre representantes da administração e do movimento grevista, avançou em pontos considerados sensíveis, como a manutenção da cesta básica em itens, a implantação do plano de carreira e a análise do impacto financeiro das reivindicações apresentadas pelo sindicato.
Ao longo da entrevista, Ernesto destacou que a Prefeitura jamais teve a intenção de suprimir a cesta básica dos servidores. Segundo ele, a hipótese de converter o benefício em itens para um cartão-alimentação surgiu a partir de uma manifestação feita pelos próprios dirigentes sindicais, em reunião anterior no gabinete do prefeito. A proposta inicial da administração previa, além do vale-refeição de R$ 1.200 para R$ 1.260, a substituição da cesta por um crédito de R$ 400, considerando que o município hoje desembolsa cerca de R$ 359 por unidade. Diante da rejeição da ideia pelos servidores, a Prefeitura decidiu manter a cesta com os 36 itens. “Não há interesse algum da administração em reduzir ou suprimir a cesta dos servidores. Se o interesse dos servidores é manter em itens, ela será mantida”, afirmou.
Outro ponto tratado como avanço por Ernesto foi o plano de carreira. Ele reconheceu que se trata de uma reivindicação histórica do funcionalismo e disse que o prefeito foi sensível ao tema desde o plano de governo. Conforme relatou, a redação inicial da proposta encaminhada no começo de abril vinculava a implantação à viabilidade orçamentária, o que gerou dúvidas entre os representantes sindicais. No entanto, segundo o assessor, a reunião de ontem consolidou o compromisso de implementação a partir de 1º de janeiro de 2027, desde que haja convergência com a categoria e fechamento de acordo. “Isso constou da ata da reunião. O prefeito bateu o martelo nesse fator”, declarou.
Sobre a contraproposta sindical, Ernesto disse que a Prefeitura só teve conhecimento formal do pedido de reajuste de 7% ao final da reunião realizada nesta segunda-feira, por volta das 13h. Segundo ele, até então não havia protocolo oficial com os números defendidos pelo sindicato. O assessor afirmou que a administração está refazendo os cálculos com base nessa nova informação e nas demais pautas, como manutenção da cesta, aumento do tíquete e repercussões do plano de carreira. “Os secretários e os técnicos da área de finanças estão debruçados sobre os números para avaliar até onde a gente pode chegar, mas com prudência, cautela e responsabilidade com o cidadão”, disse.
Ernesto também explicou que a proposta já apresentada pela Prefeitura contempla reposição integral da inflação acumulada (IPCA), de 3,81%, além do reajuste do vale-refeição para R$ 1.260. Outro item enfatizado por ele foi o descongelamento do período de evolução funcional represado durante a pandemia. Segundo o assessor, embora a lei federal de janeiro de 2026 não imponha obrigatoriamente a medida aos municípios, a gestão optou por absorver esse custo por entender que ele valoriza a carreira do servidor. De acordo com ele, o impacto anual supera R$ 5 milhões e tende a crescer com as incorporações futuras. “O prefeito fez questão de retroagir esse descongelamento à data da promulgação da lei federal”, afirmou.
Ao justificar a resistência ao reajuste real além da inflação, Ernesto argumentou que a Prefeitura precisa preservar o equilíbrio orçamentário e garantir a continuidade dos serviços essenciais. Ele observou que despesas com pessoal já consomem parcela significativa da arrecadação e que novos compromissos, como o próprio descongelamento e o futuro plano de carreira, ampliam a pressão sobre a folha de pagamento. Embora tenha admitido que o município ainda não atingiu o limite prudencial, ele defendeu que a gestão não deve trabalhar no limite máximo permitido, mas sim com margem de segurança. “A responsabilidade maior é com a população em geral. Não podemos abrir mão de alimentação nas escolas, medicamentos nas unidades de saúde e de uma boa política pública na ponta”, sustentou.
Durante a entrevista, Ernesto rebateu ainda críticas de que o prefeito estaria ausente das tratativas. Segundo ele, Netto Donato participou diretamente da primeira reunião com o sindicato, acompanhou os desdobramentos das demais negociações e esteve envolvido até o fim da noite no debate interno sobre a pauta dos servidores. O assessor reafirmou que a Prefeitura pretende enviar ainda nesta terça-feira uma nova contraproposta ao Sindspam, antes mesmo da audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). “A Prefeitura sempre esteve aberta ao diálogo. Estamos estudando a proposta dos 7% e vamos apresentar aquilo que for possível dentro das limitações do orçamento”, concluiu.
Assista a entrevista na íntegra:


















