PAULO MELLO
O coronel da reserva Paulo Roberto Nucci Júnior defendeu mais investimentos na estrutura da Polícia Militar e na valorização dos policiais durante entrevista ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM, nesta quarta-feira (16 de setembro). Em conversa com Ivan Luccas e Paulo Mello, o oficial também comentou a passagem para a reserva após 30 anos de serviço, relembrou sua atuação em São Carlos e na região e afirmou que pretende avaliar novas propostas de trabalho.
Segundo Nucci, a saída da ativa ocorreu em 11 de agosto de 2026, após mudanças nas regras de carreira que aceleraram a passagem de integrantes de sua turma para a reserva. Ele explicou que gostaria de permanecer por mais tempo, embora considere que a reestruturação favoreça as promoções de outros policiais. “Meu objetivo seria ficar mais um pouco”, afirmou.
O oficial disse que encerrou essa etapa com sentimento de dever cumprido, mas reconheceu a dificuldade emocional da transição. A devolução dos equipamentos de trabalho foi um dos momentos mais marcantes. “Trinta anos, você devolver o colete e a arma, para mim foi o pior momento”, relatou.
Trajetória em São Carlos e na região
Nucci contou que ingressou na Polícia Militar como soldado em 8 de julho de 1996, em Jardinópolis, e posteriormente cursou a Academia do Barro Branco. Após atuar na zona sul da capital paulista, chegou a São Carlos em 2005. Ao longo da carreira, passou por funções de comando, pela Força Tática e por unidades em Ribeirão Preto, Franco da Rocha e na região de Piracicaba, além de comandar um Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP).
A trajetória também incluiu o comando da companhia responsável por Ribeirão Bonito, Ibaté e Dourado. Durante a entrevista, ele relembrou o relacionamento construído com policiais, moradores e profissionais da imprensa. Disse ainda que pretendia retornar a São Carlos para encerrar a carreira no comando do batalhão local, expectativa que não se concretizou antes da transferência para a reserva.
Recursos, salários e trabalho integrado
Ao avaliar as necessidades da corporação, Nucci apontou a importância de recursos para equipamentos, manutenção de prédios, pessoal e salários. Segundo ele, há policiais que, depois de cumprir jornadas de 12 horas, assumem atividades extras para complementar a renda familiar. Na avaliação do coronel, os reajustes concedidos ainda não foram suficientes para compensar as defasagens.
O entrevistado também destacou o papel das emendas parlamentares no financiamento de melhorias e defendeu maior representação política de São Carlos. Ao mesmo tempo, reconheceu que deputados de outras cidades contribuíram com recursos para o município e para unidades policiais em que trabalhou.
Outro ponto abordado foi a integração entre instituições. Ao comentar sua experiência na região de Piracicaba, Nucci citou o trabalho conjunto com o Ministério Público, a Polícia Federal, a Polícia Civil e as prefeituras como uma das práticas que pretendia trazer para sua atuação em São Carlos. “A Polícia Militar sozinha não faz nada. Ela precisa do apoio dos órgãos”, afirmou.
Treinamento e atenção aos policiais
Ao recordar ocorrências com reféns, Nucci ressaltou a importância do treinamento e da escolha de profissionais com perfil adequado para negociar. Segundo ele, paciência, equilíbrio e comunicação são fundamentais para proteger as pessoas envolvidas. “Uma palavra errada que você diz ali acaba prejudicando toda a ação policial, toda a operação”, explicou.
O coronel também abordou o enfrentamento à violência contra as mulheres e os cuidados com os próprios integrantes da corporação. Defendeu atenção aos problemas pessoais e familiares dos policiais, além da distribuição de funções conforme as características de cada profissional. “Nossos policiais também são seres humanos, que têm os mesmos problemas. E o pior: têm os problemas e precisam lidar com os problemas dos outros”, observou.
Na relação com a comunidade, destacou campanhas de arrecadação de brinquedos, eventos e visitas a aniversários infantis. Para Nucci, essas iniciativas aproximam a população da Polícia Militar. Ele afirmou que a organização de equipes e escalas específicas permite desenvolver as atividades sociais sem comprometer o trabalho operacional.
Família e novos projetos
Sobre a rotina após a passagem para a reserva, Nucci contou que passou a dedicar mais tempo à esposa, aos filhos, aos cuidados com a casa e à atividade física. Questionado sobre o futuro e uma possível atuação política, disse que tem projetos e pretende avaliar propostas depois do período eleitoral, mas não anunciou cargo, candidatura ou função. “Não dá para ficar parado”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, o coronel agradeceu aos policiais com quem trabalhou, à família, à imprensa e aos moradores que colaboraram com informações durante sua carreira. Natural de São Carlos, afirmou que continuará na cidade e à disposição da comunidade. “Eu adoro São Carlos, eu sou daqui. Contem comigo sempre”, disse.
















