Fotos: Paulo Mello
PAULO MELLO
Da redação
O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social de Ibaté, Luis Fumagale, reagiu de forma contundente às críticas recorrentes sobre suposto excesso de multas e apreensões de veículos no município. Em entrevista durante coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira (05), Fumagale classificou parte das reclamações como “falácias” e afirmou que a fiscalização de trânsito segue parâmetros técnicos, legais e proporcionais ao tamanho da cidade, além de apresentar resultados concretos na redução de acidentes e na prevenção de crimes mais graves.
Segundo o secretário, o debate sobre multas e apreensões tem sido, em muitos casos, “politizado”. Ele lembrou que o Departamento Municipal de Trânsito não foi criado na atual gestão e defendeu a existência de uma estrutura específica para o setor. “Uma cidade com mais de 30 mil habitantes precisa de Departamento de Trânsito. Sem isso, vira balbúrdia”, afirmou.
Média de autuações e dados oficiais
Fumagale apresentou números para rebater a percepção de rigor excessivo. De acordo com ele, a Guarda Municipal realiza, em média, cerca de cinco autuações por dia. “Nós temos uma frota estimada em 23 mil veículos. Eu não acho que isso seja exagero”, disse. O secretário ressaltou ainda que parte da fiscalização cabe à Polícia Militar, que atua de forma independente, dentro de suas atribuições legais.
O secretário destacou dados do Infosiga, sistema ligado ao Detran-SP, para sustentar a eficácia das ações. Segundo ele, Ibaté registrou redução de 41% nos acidentes de trânsito de um ano para o outro e de 47% quando comparado ao período de três anos. “Tivemos cerca de 75 acidentes em 2024 e caímos para 45 em 2025. Em 2023 foram 76 e, em 2022, 85”, enumerou.
Para Fumagale, reduzir acidentes significa preservar vidas, evitar prejuízos aos cidadãos e diminuir gastos públicos. “Quem defende a não fiscalização não defende só a balbúrdia. Defende, ainda que indiretamente, que pessoas se machuquem ou percam a vida no trânsito”, afirmou.
Fiscalização como política de segurança
Ao ampliar o argumento, o secretário relacionou a fiscalização de trânsito à Segurança Pública de forma mais ampla. Ele citou estatísticas nacionais para reforçar o ponto. “No Brasil, morrem cerca de 37 mil pessoas por ano no trânsito. É como se uma cidade do tamanho de Ibaté desaparecesse todo ano. Não tem que ter fiscalização?”, questionou.
Fumagale também rechaçou a ideia de que o prefeito Ronaldo Venturi (PSD) determine quem deve ou não ser multado. “Quem fala isso ou desconhece ou mente dolosamente. Polícia Civil e Polícia Militar são órgãos estaduais. O prefeito não tem autoridade para mandar fiscalizar ou deixar de fiscalizar. Se fizesse isso, cometeria ilegalidade”, afirmou.
No caso da Guarda Civil Municipal, subordinada à administração municipal, o secretário explicou que a legislação de trânsito é federal e não permite interferência política na atuação do agente. “O prefeito não pode chegar a um guarda e mandar não autuar. Se fizer isso, responde por isso”, disse.
Combate a crimes e desordem urbana
O secretário citou exemplos práticos em que a fiscalização de trânsito foi decisiva para conter situações de risco. Um deles foi uma rave que ganhou repercussão regional, com relatos de uso de drogas, pessoas armadas e homicídios no entorno. “Como é que a gente combateu aquilo? Fiscalização de trânsito. Era um ambiente fértil para homicídios”, afirmou.
Outro caso mencionado foi o da Rua Benedito Barreto, no Jardim Cruzado, onde, segundo Fumagale, havia pancadões frequentes até 2024. “Teve pastor que disse publicamente que a igreja não funcionava de porta aberta havia anos por causa do som alto todo fim de semana. Isso foi coibido com fiscalização da Polícia Militar e da Guarda Municipal”, relatou.
Para o secretário, defender o fim da fiscalização é defender o retorno da desordem. “Querer que não fiscalize trânsito é querer que se estabeleça a balbúrdia”, disse.
“Cumpra a lei”
Fumagale encerrou sua fala com um exemplo pessoal. Relatou que, em reunião com integrantes da administração, perguntou quem já havia sido multado no trânsito. “Todos levantaram a mão, inclusive eu. Perguntei se alguém tinha sido injustiçado. Todos responderam que não. Então, é simples: cumpra a lei”, concluiu.
Ao reafirmar a legalidade e a necessidade da fiscalização, o secretário sustentou que a política adotada em Ibaté não é punitiva, mas preventiva, e que os números de acidentes e de criminalidade indicam que o caminho adotado tem produzido resultados.
















