
A Polícia Civil de Ibaté registrou sete boletins de ocorrência de golpes aplicados por celular e pelo WhatsApp nos últimos dias. Três deles envolvem o chamado golpe do falso advogado, em que criminosos se passam pelo defensor da vítima e simulam audiências judiciais por videoconferência. Os outros casos envolvem clonagem de celular e de WhatsApp, um falso aplicativo de empresa de pedágio e o compartilhamento de tela do aparelho. Todos os casos foram registrados para investigação.
Falso advogado, falso juiz e falso ministro
No primeiro caso, a vítima recebeu uma mensagem de alguém que se passava por sua advogada, informando que o processo dela havia sido julgado. Um dia antes, a advogada verdadeira tinha avisado que o processo estava em fase de sentença, o que tornou a abordagem convincente. Os golpistas tinham os dados corretos do processo e chamaram a vítima para uma videoconferência com um suposto juiz. Durante a chamada, a induziram a fazer um Pix, com a promessa de que o valor seria devolvido junto com o dinheiro da causa. Logo depois da transferência, ela percebeu o golpe e procurou o banco, que informou que acionaria o Banco Central.
No segundo caso, uma moradora recebeu uma mensagem de um número com a foto de sua advogada no perfil, com um link para uma suposta audiência sobre seu processo de aposentadoria. Na videoconferência, um homem pediu que ela transferisse dinheiro para a conta de um terceiro. Como não tinha conta bancária para fazer a transferência, ela foi até o escritório da advogada, que confirmou que se tratava de golpe. Ela não teve prejuízo.
No terceiro caso, ocorrido em 25 de setembro, a vítima foi chamada para uma suposta audiência no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para liberar valores de uma ação. O interlocutor se apresentou como ministro do tribunal, mas não mostrava o rosto e alegou “sigilo do STJ”. Ele pediu que a vítima mostrasse o saldo da conta no aplicativo do banco e, em seguida, que transferisse todo o valor disponível para uma chave Pix, com a promessa de devolver a quantia acrescida do valor da causa. Logo após a transferência, a chamada foi encerrada. A vítima procurou o banco para tentar bloquear o valor e foi orientada a pedir a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Pix.
Falso aplicativo de pedágio
Um morador recebeu pelo WhatsApp uma mensagem que parecia ser de uma empresa de serviços de pedágio, dizendo que ele precisava instalar um novo aplicativo para continuar usando o plano contratado. Ao clicar no link, ele perdeu na hora o acesso ao WhatsApp. Em seguida, verificou que o saldo da conta e o limite de crédito, cerca de R$ 4.064, tinham sumido, e depois perdeu também o acesso aos aplicativos dos bancos. Segundo o registro, ele não forneceu senhas nem códigos durante a conversa.
Clonagem de celular e de WhatsApp
Em outro caso, um morador atendeu a uma ligação de um número com DDD 16, achando que era um cliente. A pessoa do outro lado perguntou se falava com ele e desligou. Logo depois, ele perdeu o acesso ao celular, e criminosos passaram a usar o contato dele para pedir dinheiro. O registro foi feito para resguardar direitos, porque ele teme que os dados do aparelho sejam usados em crimes.
Outra vítima recebeu, em 25 de setembro, a ligação de um amigo pedindo ajuda financeira e fez duas transferências via Pix. Depois, descobriu que o celular do amigo tinha sido clonado. Em seguida, os golpistas clonaram também o aparelho dela e passaram a pedir dinheiro a todos os seus contatos.
Compartilhamento de tela
No último caso, uma vítima recebeu uma ligação pelo WhatsApp em que o autor pediu que ela compartilhasse a tela do celular. Durante a chamada, ele instalou aplicativos e liberou permissões no aparelho. Depois, a vítima percebeu que a tela não bloqueava mais e que o celular esquentava muito. Ao pesquisar, descobriu que se tratava de golpe.
Como se proteger
A Polícia Civil de Ibaté orienta a população a:
- nunca compartilhar a tela do celular com desconhecidos;
- não instalar aplicativos a pedido de terceiros durante ligações;
- desconfiar de ligações e mensagens não solicitadas e encerrar a chamada imediatamente em caso de suspeita;
- registrar boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.
Além disso, tribunais não fazem audiências por link enviado por WhatsApp para pedir transferência de dinheiro. Na dúvida, o cliente deve ligar para o advogado no número que já tem ou ir pessoalmente ao escritório. Quem fez um Pix para golpistas deve procurar o banco o quanto antes e pedir a devolução pelo MED.
























