A Prefeitura de São Carlos e pesquisadores da USP apresentaram nesta sexta-feira (18), no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), um diagnóstico dos sistemas e bases de dados utilizados pela administração municipal. O levantamento integra o projeto IntegraSanca e identificou 101 softwares em operação ou registrados na estrutura pública, além de problemas relacionados ao armazenamento, integração e segurança das informações.
O encontro foi realizado no auditório Luiz Antônio Fávaro e marcou a entrega, aos pesquisadores, dos dados coletados pela Comissão Especial de Governança de Dados Municipais. O material servirá de base para o desenvolvimento das soluções previstas pelo IntegraSanca, projeto voltado à integração das informações de diferentes áreas da Prefeitura. A iniciativa já havia sido apresentada publicamente como um Centro de Ciência para o Desenvolvimento dedicado à interoperabilidade dos sistemas municipais e à melhoria da gestão pública.
Dos 101 softwares mapeados, 42 foram desenvolvidos internamente, 31 são sistemas externos ou contratados e 28 foram classificados como obsoletos ou abandonados, mas ainda demandam recursos de manutenção. O diagnóstico também constatou que 11 secretarias ainda dependem de documentos físicos e outras nove utilizam planilhas isoladas sem mecanismos de backup.
A partir desse cenário, foram apresentadas recomendações divididas em seis eixos. Entre as medidas estão a criação de uma política unificada para adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), redução do uso de papel nos processos administrativos, adoção de uma nuvem corporativa homologada e estabelecimento de regras para o armazenamento e gerenciamento de planilhas.
Integração para transformar dados em informação
Uma das dificuldades identificadas é a existência de diferentes sistemas que armazenam informações semelhantes sem comunicação entre si. A pesquisadora Cristina Aguiar explicou que essa fragmentação pode fazer com que um mesmo dado apareça em diferentes bases com valores divergentes. Segundo ela, o objetivo é resolver essas inconsistências previamente para que relatórios e decisões administrativas sejam produzidos a partir de informações mais confiáveis.
A pesquisadora Kalinka Castelo Branco destacou que a quantidade de dados disponíveis atualmente não significa, necessariamente, que eles estejam transformados em informação útil. Segundo ela, a integração permitirá gerar conteúdos mais específicos tanto para a população quanto para os gestores públicos, contribuindo para decisões baseadas em evidências. A estrutura do IntegraSanca também contempla segurança, privacidade, inteligência artificial, capacitação e integração das bases municipais.
Educação, saúde e assistência social
Durante o evento, a Secretaria Municipal de Educação apresentou seu modelo de gestão digital, baseado em uma plataforma integrada que deverá reunir dez frentes da rede municipal, desde o planejamento de vagas até informações relacionadas à vida funcional dos professores. O sistema DemandaNet já vem sendo utilizado em processos da rede municipal de ensino, inclusive para atualização cadastral de estudantes.
As secretarias de Cidadania e Assistência Social e de Saúde também apresentaram bases que deverão participar do processo de integração. Na Saúde, foram abordados dados de dispensação de medicamentos e prontuários eletrônicos. A Prefeitura já utiliza o IntegraSanca em estudos relacionados ao absenteísmo em consultas e exames, buscando identificar causas das faltas e melhorar os mecanismos de comunicação com os pacientes.
O prefeito Netto Donato afirmou durante o encontro que a integração poderá permitir, no futuro, serviços como agendamento digital de consultas e matrículas escolares, além de ampliar a transparência e a capacidade de acompanhamento dos serviços municipais. As declarações representam as expectativas da administração para o projeto, cuja implantação e resultados dependerão do desenvolvimento das soluções técnicas previstas.
Com o diagnóstico concluído e entregue aos pesquisadores, o IntegraSanca avança para uma etapa voltada ao tratamento, padronização e integração das bases municipais. A expectativa apresentada pelos responsáveis pelo projeto é reduzir sistemas isolados, aumentar a segurança das informações e oferecer à administração ferramentas capazes de transformar dados já existentes em serviços e políticas públicas mais eficientes.
















