
Às vésperas do Dia dos Pais, servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) compartilham experiências de diferentes gerações sobre a paternidade e as transformações provocadas pela chegada dos filhos. Leonardo Passareli Garcia Sandrini, Renan dos Santos Caetano, Valdemar Pereira e Benedito Carlos Marchezin vivem momentos distintos da vida, mas têm em comum relatos marcados por responsabilidade, aprendizado e vínculos familiares.
Aos 31 anos, o operador de máquinas pesadas Leonardo Passareli Garcia Sandrini celebra seu primeiro Dia dos Pais com Maria Valentina, de 4 meses. A chegada da menina realizou um desejo antigo do servidor, após um período difícil vivido pelo casal. Em abril de 2025, eles descobriram uma primeira gestação, que não evoluiu. Dois meses depois, uma nova gravidez trouxe a expectativa pela chegada da filha. “Achei que conhecia o amor, mas, depois que a Maria Valentina nasceu, descobri que era muito além do que eu podia imaginar. Hoje eu me preocupo com o amanhã. Saio para trabalhar já pensando em voltar para casa, porque quero estar junto delas”, afirma.
Sem ter convivido com o próprio pai, Leonardo diz que encontrou na paternidade uma oportunidade de construir uma relação diferente com a filha. “Eu não tive contato com o meu pai. Então, costumo dizer que estou sendo o pai que eu não tive. É uma cura interior minha também. Quero ser aquele pai que brinca, que cuida, que está junto, que acorda de madrugada e troca a fralda. Estou sendo para a minha pequena o pai que eu gostaria de ter tido.”
Renan dos Santos Caetano, de 26 anos, supervisor da Unidade de Apoio aos Procedimentos Administrativos (UAPA), enfrenta uma realidade diferente. Pai de Nick, de 4 anos, Logan, de 2, e Oliver, de apenas um mês, ele teve o primeiro filho aos 22 anos. Para o servidor, a paternidade antecipou responsabilidades e exigiu mudanças de prioridades. “É um desafio porque ainda sou jovem e estou nesse processo de descoberta da minha vida, da minha carreira e dos planos que tenho. Quando a gente se torna pai, acaba abdicando de algumas coisas. Mas eles estão à frente de tudo, são minhas prioridades.”
A conciliação entre trabalho e família aparece como um dos principais desafios para Renan. Ele relata que, em alguns dias, sai de casa enquanto os filhos ainda estão dormindo e retorna quando eles já foram dormir. Por isso, procura aproveitar pequenas oportunidades durante a semana e dedicar os fins de semana à família. “Eu acho que estou crescendo junto com eles”, resume. Na própria criação, diz ter como referências os pais, que trabalhavam muito, mas buscavam reservar aos filhos o tempo disponível.
Aos 68 anos, o encanador Valdemar Pereira acompanha uma etapa já adulta da vida dos filhos Thayline, de 27 anos, e Fellipe, de 23. Criado principalmente pela mãe após o pai deixar a família, ele decidiu fazer da presença uma característica central na relação com os filhos. “Ser pai é uma coisa maravilhosa. Às vezes, eu falo para eles: vocês são a minha vida”, diz.
Essa presença ganhou importância especial quando os dois filhos foram diagnosticados, ainda jovens, com ceratocone, doença que afeta a córnea e pode comprometer progressivamente a visão. A família passou a enfrentar consultas, viagens e tratamentos para controlar a evolução da doença. Segundo Valdemar, o período exigiu dedicação familiar e trouxe preocupação diante da possibilidade de perda da visão. “Meus filhos estavam perdendo a visão. Para nós, foi uma vitória muito grande conseguir realizar os tratamentos necessários para controlar a progressão da doença.” Hoje, ao acompanhar os dois adultos, ele resume a relação de forma direta: “Só posso falar que amo muito eles.”
Benedito Carlos Marchezin, de 74 anos, engenheiro agrimensor e ex-presidente do SAAE, também construiu sua trajetória profissional enquanto acompanhava o crescimento dos filhos Rodrigo, de 45 anos, e Larissa, de 39. Há mais de quatro décadas ligado à autarquia, ele associa parte da história da família ao trabalho realizado no serviço público. “Foi aqui que consegui tudo o que pude conseguir na minha vida. Foi com o meu salário daqui que sustentei e constituí minha família. Aprendi muita coisa aqui. Foi uma escola para mim.”
Na criação dos filhos, Marchezin afirma ter procurado transmitir princípios aprendidos com os próprios pais, especialmente a importância da educação e da humildade. Com o passar dos anos, diz ter ampliado também a valorização da convivência familiar. “Já perdi muitos amigos e parentes. Quando a gente vai ficando mais velho, começa a dar ainda mais valor à vida, à família e aos amigos.” Para ele, ser pai representa uma realização pessoal. “Para mim, é uma complementação da vida, é uma realização. Eu acho que seria uma pessoa muito triste se não tivesse meus filhos.”
Como parte das comemorações do Dia dos Pais, o SAAE também promoveu a campanha interna “Pai Campeão”. Servidores foram convidados a enviar fotografias com os filhos, posteriormente reunidas em um mural físico e em uma versão virtual. A iniciativa teve como objetivo reconhecer os pais da autarquia e valorizar os vínculos familiares.
As histórias dos quatro servidores mostram diferentes etapas da paternidade, desde os primeiros meses com um bebê até a convivência com filhos adultos. Em comum, os relatos destacam a presença, as responsabilidades e os aprendizados acumulados ao longo dos anos, reforçando a dimensão familiar de profissionais que também fazem parte diariamente dos serviços prestados à população de São Carlos.
























