
A Prefeitura de São Carlos criou um Grupo de Trabalho em Mudanças Climáticas para discutir medidas de prevenção e adaptação diante do avanço dos eventos climáticos extremos e de seus possíveis impactos sobre a população, a infraestrutura urbana e a economia do município. A iniciativa reúne pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste, além de representantes de secretarias municipais relacionadas ao tema.
O grupo deverá analisar os efeitos das alterações no clima sobre áreas como abastecimento de água, drenagem urbana, saúde pública, produção de alimentos, infraestrutura, energia e segurança da população. Também serão estudadas tecnologias e soluções capazes de tornar a cidade mais resiliente a períodos de calor intenso, chuvas extremas, estiagens e outros fenômenos meteorológicos.
Segundo o assessor do prefeito Netto Donato, José Galízia Tundisi, uma das prioridades será transformar o conhecimento científico produzido pelas universidades e centros de pesquisa instalados em São Carlos em ações práticas de planejamento urbano.
“Também estão na pauta tecnologias e projetos de adaptação a eventos climáticos extremos. Para isso, serão realizados seminários e reuniões temáticas com a participação de especialistas”, afirmou.
EL NIÑO ENTRA NO RADAR
Um dos primeiros temas que deverão ser analisados pelo grupo é a intensificação do El Niño em 2026. O fenômeno está associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e pode provocar alterações nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do planeta.
Os boletins meteorológicos internacionais mais recentes indicam que o El Niño está em processo de fortalecimento. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta que o fenômeno deverá se intensificar ao longo de 2026 e atribui probabilidade de 97% de persistência até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também aponta a formação de um El Niño forte, com previsão de intensificação entre agosto e outubro deste ano. O cenário eleva a probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do planeta e de alterações relevantes nos regimes de chuva, embora os efeitos sejam diferentes conforme cada região.
Projeções recentes da NOAA indicam ainda probabilidade elevada de o episódio alcançar a categoria de El Niño “muito forte” no último trimestre de 2026. As previsões, contudo, continuam sujeitas a atualização conforme a evolução das temperaturas oceânicas e das condições atmosféricas no Pacífico.
SEMINÁRIO EM SETEMBRO
Como primeira grande atividade, o Grupo de Trabalho realizará no dia 14 de setembro um seminário científico e técnico no Paço Municipal de São Carlos. O encontro terá caráter também prático e deverá discutir os possíveis impactos dos eventos climáticos extremos sobre áreas urbanas e as tecnologias disponíveis para reduzir riscos.
A realização será conjunta entre Prefeitura de São Carlos, Embrapa Instrumentação, Embrapa Pecuária Sudeste, USP e UFSCar.
“Diante desse quadro, o Grupo de Trabalho vai realizar um seminário científico, técnico e de aplicação prática em 14 de setembro, no Paço Municipal de São Carlos. O evento discutirá não apenas os impactos do fenômeno climático, mas também tecnologias e mecanismos de adaptação voltados especialmente às áreas urbanas”, explicou Tundisi.
Segundo ele, a intenção é fazer com que a discussão não termine no seminário. A partir das contribuições dos pesquisadores e técnicos, deverá ser elaborado um plano de trabalho conjunto para orientar medidas de preparação e adaptação no município.
“Como resultado do encontro, os organizadores pretendem elaborar um plano de trabalho e um projeto conjunto para acelerar a implantação de técnicas e mecanismos de adaptação aos impactos climáticos previstos”, afirmou.
CIÊNCIA APLICADA À CIDADE
A formação do grupo coloca instituições que concentram pesquisas em áreas como clima, recursos hídricos, agricultura, tecnologia, sustentabilidade e planejamento ambiental em contato direto com diferentes setores da administração municipal.
A proposta é utilizar dados científicos para identificar vulnerabilidades do município, antecipar cenários de risco e avaliar soluções que possam ser incorporadas às políticas públicas.
Entre os desafios associados às mudanças do clima estão o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor, alterações no regime de chuvas e períodos de estiagem. A Organização Meteorológica Mundial ressalta que o fortalecimento do El Niño amplia a necessidade de sistemas de alerta e ações antecipadas para reduzir prejuízos sociais e econômicos.
Com o novo grupo, São Carlos pretende estruturar uma agenda permanente de discussão sobre mudanças climáticas e transformar a presença de universidades e centros de pesquisa no município em suporte técnico para decisões relacionadas ao desenvolvimento urbano e à proteção da população.
























