O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) realizou, na manhã desta terça-feira (28), uma palestra sobre violência contra a mulher, feminicídio e misoginia. O encontro ocorreu na sede da autarquia, na Avenida Getúlio Vargas, e teve como público-alvo o contingente masculino de servidores, formado por 362 homens dentro de um quadro total de 469 funcionários.
A atividade contou com a participação da advogada Andrea Izilda Martos Valdevite, presidente da OAB São Carlos, e da psicóloga clínica Giovana Policastro, mestre e doutora pela UFSCar. As convidadas abordaram aspectos legais, culturais e comportamentais relacionados à violência de gênero. Em março, o SAAE já havia promovido uma palestra com o mesmo tema voltada às servidoras da autarquia.
Durante a apresentação, foram destacados dados considerados preocupantes. De acordo com o Atlas da Violência, em parceria com o Ipea, o Brasil registrou em 2025 um recorde histórico de feminicídios, com 1.568 vítimas, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta ainda que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país e que a maior parte dos casos, 75,48%, correspondeu a feminicídios íntimos, cometidos por atuais ou ex-companheiros.

Andrea Valdevite afirmou que o país avançou desde a tipificação do feminicídio, em 2015, e ressaltou a importância da Lei Maria da Penha. Segundo ela, no entanto, ainda é necessário ampliar as denúncias, fortalecer as punições e promover mudanças de comportamento. “O que as mulheres querem não é superioridade, apenas igualdade”, disse.
A psicóloga Giovana Policastro destacou que a violência contra a mulher também está ligada a padrões culturais e comportamentais construídos desde a infância. Para ela, os homens precisam assumir, de forma individual e coletiva, o compromisso de garantir segurança e respeito às mulheres em todos os ambientes.
O presidente do SAAE, Derike Contri, abriu o encontro e acompanhou a palestra, que teve cerca de uma hora de duração. Ele agradeceu a presença das convidadas e dos servidores, defendendo a ampliação do debate. “É urgente levar esse tema ao maior número possível de ambientes. O diálogo é o diferencial. O respeito, fundamental”, afirmou.



















