
A Prefeitura de São Carlos começou neste mês de agosto a instalação de 220 ovitrampas em residências e estabelecimentos comerciais do município. A iniciativa, coordenada pelo Departamento de Vigilância em Saúde e pela Unidade de Controle de Zoonoses e Endemias, tem como objetivo ampliar o monitoramento do Aedes aegypti e orientar ações de prevenção e combate às arboviroses, como dengue, Zika e chikungunya.
As ovitrampas são armadilhas utilizadas para detectar a presença do mosquito por meio da coleta de ovos. A estratégia permitirá identificar com maior precisão as regiões da cidade que apresentam índices elevados de infestação, possibilitando que as equipes de saúde concentrem as ações de controle nos locais de maior risco.
A implantação ocorre diante das notificações de arboviroses e do histórico epidemiológico do município. Segundo a Prefeitura, a série dos últimos dez anos aponta transmissão sustentada de dengue em São Carlos, o que reforça a necessidade de adoção de ferramentas complementares de vigilância. Os moradores e responsáveis pelos imóveis selecionados foram previamente informados e aderiram voluntariamente ao programa.
A armadilha consiste em um recipiente plástico preto, de boca larga, no qual é fixada uma palheta de madeira aglomerada. O recipiente recebe 300 mililitros de água e 1 mililitro de levedo de cerveja, utilizado para atrair a fêmea do Aedes aegypti e estimular a deposição dos ovos na palheta.
As ovitrampas são colocadas nas áreas externas dos imóveis, a uma altura de até 1,5 metro, em pontos protegidos da chuva e da incidência direta de luz solar, além de permanecerem fora do alcance de crianças e animais domésticos. A instalação ocorre às quintas e sextas-feiras. Cinco dias depois, às segundas e terças-feiras, as armadilhas são retiradas para evitar a eclosão dos ovos.
Agentes de Combate às Endemias ficarão responsáveis pelas visitas aos imóveis previamente cadastrados, especialmente em regiões consideradas de maior risco. Depois da retirada das armadilhas, as palhetas são encaminhadas ao laboratório da Unidade de Controle de Zoonoses e Endemias, onde os ovos são analisados e contabilizados.
Com os resultados, as equipes municipais poderão mapear áreas com maior concentração do mosquito e direcionar as atividades de vigilância e controle. A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, afirmou que as 220 ovitrampas estão sendo instaladas justamente em áreas consideradas de risco. “As ovitrampas são ferramentas fundamentais para que possamos identificar rapidamente áreas com maior presença do mosquito. Com esses dados, conseguimos planejar ações mais eficazes e prevenir surtos antes que aconteçam”, disse.
O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, ressaltou também a importância da colaboração dos moradores. “Esse trabalho é essencial para proteger a população. A participação voluntária dos moradores mostra que todos estão engajados no combate às arboviroses, e juntos podemos reduzir os riscos de transmissão”, afirmou.
São Carlos contabiliza 404 casos confirmados de dengue em 2026 e, até o momento, não registra mortes provocadas pela doença. Em relação à chikungunya, 171 casos investigados foram descartados. Para Zika, foram 154 descartes, enquanto um caso suspeito de febre amarela também teve resultado descartado.
A expectativa é que o monitoramento com as ovitrampas amplie a capacidade do município de detectar precocemente a circulação do Aedes aegypti e permita intervenções mais direcionadas, especialmente nas áreas onde houver maior concentração de ovos, fortalecendo as ações preventivas de saúde pública em São Carlos.
























