O volume de vendas do comércio varejista brasileiro fechou 2025 com crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, a alta foi de 2,3%. Apesar do resultado positivo, o desempenho ficou abaixo da expectativa dos comerciantes, especialmente diante do aumento do emprego formal e da abertura de novas empresas ao longo do período.
De acordo com o Informativo Econômico da ACISC, divulgado nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, os segmentos analisados incluem supermercados, farmácias, postos de combustíveis, vestuário, tecidos, livrarias, móveis, eletrodomésticos, produtos médicos e ortopédicos, materiais de escritório, informática, comunicação e artigos de uso pessoal e doméstico — setores diretamente ligados à função “Consumo”, componente essencial da demanda agregada e do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
O documento destaca ainda que o comércio varejista movimenta transações por meio de PIX, cartões de débito e crédito e também em espécie, sendo fundamental para manter a atividade econômica aquecida, com reflexos no sistema bancário e financeiro. No entanto, o crescimento considerado modesto sugere que a inflação comprometeu significativamente o poder de compra da população.
No Estado de São Paulo, o cenário foi ainda mais contido. Em dezembro de 2025, houve retração de 0,5% frente ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, o crescimento foi de apenas 0,3%, número inferior à média nacional.
A presidente da ACISC, Ivone Zanquim, avalia que os números exigem cautela e planejamento por parte dos empresários. “Mesmo com geração de empregos e abertura de empresas, o comércio não cresceu no ritmo esperado. Isso mostra que o consumidor está mais seletivo e atento aos preços. É momento de estratégia, inovação e fortalecimento da gestão”, afirmou.
Para o economista do Núcleo Econômico da ACISC, Elton Casagrande, a leitura dos dados deve ir além do percentual divulgado. “Quando analisamos o crescimento de 1,6% no ano, percebemos que ele é positivo, mas modesto diante do cenário econômico. A inflação reduziu o poder real de compra, o que explica a diferença entre o aumento do emprego e o desempenho das vendas”, explicou.
Casagrande também reforça a importância de o empresário comparar seus próprios números com os dados oficiais. “É fundamental utilizar ferramentas de gestão, como o ERP, para acompanhar vendas físicas, margem de lucro, mark-up e giro de estoque. Essa análise permite corrigir decisões e ajustar o planejamento para 2026 com mais segurança.”
A ACISC orienta que os empresários utilizem os dados do IBGE como parâmetro para avaliar o desempenho individual de seus estabelecimentos, revisar estratégias e fortalecer a competitividade em um cenário de crescimento moderado e consumo ainda pressionado.

















