TRANSPARÊNCIA COM CORTINA
A proposta de tornar aberta a eleição da Mesa Diretora foi rejeitada. Ivani do Cruzado declarou voto contrário e defendeu sua posição. A discussão teve transmissão, reação e bate-boca: tudo muito público para manter uma escolha secreta. O eleitor pode acompanhar a briga pelo modelo de votação; saber em quem cada vereador votará para comandar a Câmara continua sendo outra história.
RESPEITO NO GRITO
Waldir Siqueira associou a defesa do voto secreto a “se acovardar”. Ivani reagiu: “Me respeita, vereador”. Ele manteve a expressão e afirmou não ter medo de grito. A partir daí, o debate ganhou uma curiosa especialidade: cada lado cobrava respeito enquanto a presidente tentava recuperar a ordem. Se repetir a palavra resolvesse, aquela teria sido a sessão mais respeitosa do ano.
APARTE COM PORTEIRA
Ivani repetiu que não concederia aparte durante o confronto. Waldir Siqueira queria responder, a presidente tentava organizar e a discussão sobre transparência ficou espremida entre as intervenções. A vereadora foi firme no controle da própria fala. Para quem acompanhava, ficou a impressão de que abrir o voto seria mesmo uma missão complicada: até uma brecha no discurso estava difícil de conseguir.
A PIMENTA ERA DE WALDIR SIQUEIRA
Provocado pelo confronto, Waldir Siqueira não recolheu a expressão que irritou a colega. Pelo contrário: reafirmou e avisou que não retiraria a palavra. Defendeu uma pauta relevante, mas escolheu um tempero capaz de fazer o argumento disputar espaço com a discussão pessoal. Quando o assunto é transparência, convém deixar o raciocínio aparecer antes da fumaça.
CONSULTORIA PARA A GAVETA?
Hícaro Costa lembrou que a consultoria contratada por aproximadamente R$ 51 mil recomendou eliminar a previsão de voto secreto. O vereador apresentou a orientação, mas a mudança foi rejeitada. O serviço envolve outras revisões, e a recomendação não substitui a votação. Ainda assim, cabe a pergunta apimentada: na próxima reunião, vão discutir o parecer ou ensinar ao consultor onde fica a gaveta?
SESSÃO POR UM FIO
Sem pulso firme nenhum, Viviane da ONG ameaçou suspender a sessão se a gritaria continuasse e cobrou silêncio da plateia. A presidente precisou administrar uma disputa em que sobrava gente querendo falar e faltava disposição para ouvir. A Câmara quase ganhou um intervalo pedagógico: alguns minutos para lembrar que microfone amplifica a voz, mas não melhora automaticamente o argumento.
SIM COM ALFINETE
Ivani votou a favor do projeto de orientação itinerante às famílias de estudantes da educação especial, mas afirmou que o próprio autor o teria chamado de inconstitucional. Hícaro contestou, dizendo ter mencionado vício de iniciativa, e pediu que não colocassem palavras em sua boca. O apoio veio acompanhado de uma alfinetada. A proposta passou; a cordialidade precisou de explicação de voto.
PARECER COM ELASTICIDADE
O possível vício de iniciativa do projeto de inclusão também rendeu discussão. Hícaro comparou a proposta com outra já aprovada, e Waldir Siqueira lembrou votações anteriores com pareceres contrários. A relevância da iniciativa merece reconhecimento, mas o debate deixou uma cobrança: critérios claros para todos os projetos. Parecer jurídico não deveria parecer roupa de tamanho único, ajustada conforme quem veste.
COMUNICAÇÃO POR OFÍCIO
Hícaro recusou a leitura integral da resposta da Secretaria de Esportes e Cultura, alegando que havia outros espaços para os esclarecimentos. Viviane assumiu a leitura em nome do direito de resposta. A pasta informou ter realizado escuta pública com 24 participantes. Naquela noite, o diálogo entre Executivo e Legislativo mostrou uma preferência curiosa: quando a conversa aperta, chama-se o papel timbrado.
ALDIR, ALTAIR… CHAMA PELO SOBRENOME!
A presidente da Câmara de Ibaté, Viviane da ONG, fez questão de ler o esclarecimento da Cultura, mas tropeçou no nome que batiza a lei. Entre “Altair”, “Adair” e outras tentativas, Aldir Blanc demorou a ser chamado corretamente. Na próxima sessão, vale ensaiar a chamada: compositor também tem direito ao próprio nome!
QUESTÃO DE IDENTIDADE
O documento defendia que os artistas tinham sido ouvidos. Já Aldir Blanc, se pudesse ouvir a leitura, provavelmente pediria uma questão de ordem para confirmar a própria identidade. O direito de resposta foi garantido pela presidente. O nome do homenageado precisou aguardar algumas rodadas.
WHATSAPP DE DIFÍCIL ACESSO
Elizeu do Cruzado e Waldir Siqueira relataram dificuldades para falar com o secretário de Esporte, Cultura e Turismo, Giliardi Nishihara, incluindo mensagens sem resposta e um bloqueio posteriormente desfeito. São relatos dos vereadores, que cobram esclarecimentos. Se o atendimento funciona como descreveram, há uma atualização urgente a fazer: instalar no aparelho a função “retornar cobrança”. Cargo público já vem com essa exigência de fábrica.
TENDA E TEMPERAMENTO
Elizeu do Cruzado afirmou ter recebido, por um intermediário, um recado grosseiro atribuído ao referido secretário após cobrar uma tenda para uma atividade da Igreja Católica. O episódio precisa da versão do citado. Mas a regra administrativa é simples: responder à demanda faz parte do trabalho. Para montar uma tenda, não deveria ser necessário desmontar primeiro uma crise de relacionamento.
PLANTÃO CHEIO DE PERGUNTAS
Elizeu do Cruzado solicitou escalas e registros de presença após relatar demora no hospital e dizer que recebeu a informação de que um médico estaria jantando. A documentação deverá esclarecer o atendimento naquele período. Antes de qualquer conclusão, que venham os registros. Na saúde, explicação desencontrada tem um efeito conhecido: a fila de pacientes acaba acompanhada por outra, a de dúvidas.
BURACO COM DIREITO A RETORNO
Elizeu do Cruzado afirmou que trechos recentemente reparados já estavam novamente danificados e cobrou fiscalização dos serviços. Pelo relato, o buraco saiu apenas para um breve descanso. A administração precisa verificar a execução e cobrar as correções necessárias. O contribuinte paga pelo conserto; reencontrar o mesmo problema pouco depois não pode ser tratado como programa de fidelidade.
NATAL EM ESPERA
Segundo Hícaro, a reunião para organizar o Natal Azul, solicitada desde maio, ainda não havia ocorrido. Ele reconheceu dificuldades de agenda dos dois lados e pediu uma data. A proposta busca oferecer uma programação adequada a crianças e adolescentes autistas e neurodivergentes. Setembro já chegou: convém marcar a conversa antes que o Papai Noel também precise protocolar um requerimento.
ESCUTA COM CADEIRA VAZIA
Ao discutir a expansão do ensino integral, Hícaro reconheceu a consulta às famílias, mas cobrou a participação dos profissionais das escolas. Também criticou a tramitação de mudanças no plano de carreira sem passagem pela comissão, conforme seu relato. Planejamento educacional precisa ouvir quem conhece a rotina. A democracia na escola fica difícil quando o professor recebe o conteúdo pronto e só pode conferir a chamada.

















