PAULO MELLO
A Secretaria Municipal de Assistência Social de Ibaté mantém uma série de ações voltadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, com iniciativas nas áreas de acolhimento, proteção contra a violência, segurança alimentar e acesso a programas sociais. O trabalho foi apresentado pela secretária Jacqueline Barbosa durante entrevista concedida nesta terça-feira, 28 de julho, ao programa Primeira Página no Ar, da São Carlos FM.
Entre as principais iniciativas está a Operação Inverno, realizada de forma conjunta pelas secretarias de Assistência Social e Saúde, pela Defesa Civil e pelas forças de segurança. A mobilização começou ainda no fim do outono e inclui abordagens periódicas, distribuição de cobertores e agasalhos, oferta de acolhimento e acompanhamento das pessoas que vivem nas ruas ou estão temporariamente de passagem pela cidade.
Segundo Jacqueline, o objetivo não é apenas retirar as pessoas das baixas temperaturas, mas identificar cada situação e construir alternativas para a saída das ruas. “É preciso saber quem são essas pessoas e trabalhar nesse processo. Para alguém chegar à situação de rua, normalmente houve o rompimento de muitos vínculos pessoais e familiares. É um trabalho que precisa ser sistematizado, organizado e desenvolvido por várias políticas públicas”, afirmou.
A secretária destacou que Ibaté possui um número reduzido de moradores efetivamente em situação de rua. As equipes conhecem essas pessoas, suas histórias familiares e os motivos que levaram ao rompimento dos vínculos. Há também os chamados itinerantes ou “trecheiros”, que passam por diferentes municípios e permanecem por pouco tempo em cada cidade.
Jacqueline explicou ainda que algumas pessoas possuem residência, mas convivem durante parte do dia com grupos que permanecem nas ruas, especialmente em situações relacionadas ao uso abusivo de substâncias. Nesses casos, o atendimento é individualizado. “A sociedade, ao olhar um grupo reunido, coloca todos na mesma situação. Todos podem estar vulneráveis e precisar de cuidados, mas cada pessoa necessita de um plano de atendimento diferente”, disse.
O trabalho também envolve a localização de familiares. De acordo com a secretária, a segurança pública já auxiliou a identificar pessoas que estavam sem documentos, apresentavam problemas de saúde mental e eram procuradas por parentes de outras cidades. Dependendo das condições, a família se desloca até Ibaté ou o município viabiliza o retorno da pessoa à cidade de origem.
Jacqueline ressaltou, porém, que o encaminhamento somente ocorre quando há interesse da pessoa atendida e disposição da família em recebê-la. “Não é uma intervenção higienista, de pegar uma pessoa de um município e levá-la para outro apenas para retirar o problema da cidade. O trabalho é identificar quem ela é, saber se deseja voltar e verificar se a família está preparada para acolhê-la”, declarou.
Proteção às mulheres
Outro tema abordado durante a entrevista foi o atendimento às mulheres vítimas de violência. Desde o início da gestão do prefeito Ronaldo Venturi, a administração municipal vem estruturando uma equipe especializada em proteção social para acompanhar casos de violência contra mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e outros grupos vulneráveis.
Ibaté conta com acesso a uma casa-abrigo de endereço sigiloso, utilizada nos casos em que a mulher precisa deixar imediatamente sua residência para proteger a própria vida e a de seus dependentes. O município também mantém parcerias com o programa Cole, que disponibiliza hospedagem provisória em hotéis, e com o programa de auxílio-aluguel do governo estadual.
Para a secretária, a saída do ciclo de violência depende de uma rede de apoio que ofereça condições concretas para a mulher reconstruir sua vida. “É preciso pensar onde essa mulher vai morar, como terá renda, onde os filhos vão estudar e como ficará protegida do agressor. Muitas vezes, é o próprio companheiro agressor quem garante a moradia e a alimentação dela e dos filhos. Por isso, o atendimento precisa ser amplo”, explicou.
Curso de costura poderá voltar em 2027
Durante a entrevista, Jacqueline também comentou a indicação apresentada pelo vereador Gilmar Santos para a retomada do curso de formação de costureiras e costureiros. A atividade foi interrompida após a aposentadoria da profissional responsável pelas aulas.
Segundo a secretária, as máquinas utilizadas no curso continuam disponíveis, mas precisam passar por manutenção. A pasta pretende inicialmente fortalecer as oficinas que já estão em funcionamento, com a compra de materiais e equipamentos necessários para melhorar as atividades oferecidas à população.
A retomada do curso de costura dependerá de levantamento de custos, manutenção dos equipamentos e abertura de processo administrativo para contratação do profissional responsável. A expectativa apresentada pela secretária é de que a iniciativa possa ser organizada para 2027.
Recursos e convênios
A Secretaria de Assistência Social também ampliou a busca por recursos estaduais e federais. Até 2025, serviços como o acolhimento de crianças e adolescentes e o atendimento às pessoas em situação de rua eram financiados, em grande parte, diretamente pelo Tesouro Municipal.
Após tratativas realizadas pela secretaria e pelo prefeito Ronaldo Venturi, o município passou a contar com recursos conveniados para a manutenção das duas casas de acolhimento. A unidade regional destinada às mulheres vítimas de violência também possui 50% dos custos financiados pelo governo estadual.
De acordo com Jacqueline, os convênios, parcerias e emendas já representam impacto equivalente a cerca de 60% do orçamento da pasta que antes dependia exclusivamente de recursos municipais. A secretaria recebeu ainda um automóvel para ações de busca ativa, visitas domiciliares e retirada de doações destinadas à Campanha do Agasalho e à Operação Inverno.
Cadastro Único
A secretária também alertou para a importância da atualização do Cadastro Único, utilizado como porta de entrada para diferentes programas sociais. Ibaté possui aproximadamente 7 mil famílias cadastradas, das quais cerca de 2,5 mil recebem o Bolsa Família. Outras aproximadamente 600 famílias possuem integrantes beneficiários do Benefício de Prestação Continuada, o BPC, destinado a idosos e pessoas com deficiência que atendem aos critérios do programa.
Jacqueline explicou que o Cadastro Único não atende apenas ao Bolsa Família. As informações também são utilizadas para acesso ao BPC, à tarifa social de energia elétrica e a programas municipais, incluindo serviços que exigem comprovação da condição socioeconômica da família.
A secretária destacou que os sistemas públicos estão sendo integrados pelo CPF, permitindo ao governo federal cruzar dados de renda, emprego, residência e composição familiar. Por isso, informações incorretas ou desatualizadas podem resultar no bloqueio ou na suspensão de benefícios.
“A equipe municipal não cancela o benefício. Ela registra no sistema as informações apresentadas pela pessoa durante a entrevista. A partir daí, o governo federal cruza os dados. O cadastro precisa estar atualizado e conter informações verdadeiras, para que os benefícios sejam direcionados a quem realmente necessita”, afirmou.
Humanização do atendimento
Ao avaliar o trabalho desenvolvido pela pasta, Jacqueline afirmou que uma das prioridades foi consolidar a assistência social como política pública de garantia de direitos. A proposta inclui organizar os serviços, reduzir a transferência de responsabilidade entre setores e assegurar que cada pessoa seja orientada e encaminhada corretamente.
“Queremos que as pessoas se sintam acolhidas e bem recebidas. Mesmo quando o Cras não puder resolver diretamente uma demanda, a equipe deve acionar a política pública responsável. As pessoas já chegam fragilizadas e não podem enfrentar um ‘pingue-pongue’ entre os serviços”, declarou.
A secretária também dividiu os resultados com os servidores municipais. Segundo ela, o avanço das ações é consequência do trabalho coletivo de uma equipe comprometida com a população. A estruturação dos serviços fortalece a rede de proteção social de Ibaté e amplia a capacidade do município de atender famílias e indivíduos em momentos de vulnerabilidade, com acompanhamento profissional, acesso a direitos e atendimento humanizado.

















