Nem só de café e tranquilidade vive o interior paulista. Na tarde desta sexta-feira (24), a Guarda Civil Municipal de Ibaté provou que, enquanto alguns utilizam o porta-óculos para proteger as lentes do sol, outros decidiram dar ao acessório uma utilidade bem menos ótica e muito mais tóxica.
Durante uma varredura estratégica no cruzamento das ruas Antônio Merola e João Menzani — ponto já carimbado no mapa da criminalidade local pelo comércio de substâncias nada lícitas —, a equipe da GCM deparou-se com uma cena que misturava o “vintage” com o moderno: um porta-óculos repousava solitário junto a uma mureta, acompanhado de uma maquininha de cartão.
O “Menu” do Dia
Ao abrirem o estojo, os guardas não encontraram um par de Ray-Ban, mas sim um sortimento que faria inveja a qualquer “coffee shop” clandestino. O inventário da apreensão revelou uma curiosa diversidade botânica e química:
- 15 porções de substância análoga à maconha (o clássico);
- 07 porções de pó branco análogo à cocaína;
- 04 porções de haxixe;
- 08 porções do cobiçado “dry” (uma variação mais potente e gourmetizada da cannabis).
Modernização do Varejo
O que chamou a atenção das autoridades, porém, não foi apenas o estoque, mas a presença da máquina de cartão. O achado confirma que o tráfico local resolveu aderir à transformação digital, facilitando a vida do “cliente” que esqueceu o dinheiro vivo, mas não abre mão de parcelar seus vícios ou, quem sabe, acumular milhas em transações suspeitas.
A eficiência do setor de logística do crime, no entanto, falhou no quesito ocultação. O “kit empreendedor” foi devidamente recolhido e encaminhado à Delegacia de Polícia de Ibaté.
Até o fechamento desta reportagem, nenhum proprietário apareceu para reclamar o porta-óculos ou contestar o estorno da maquininha. O material segue apreendido, e a GCM reafirma que, em Ibaté, o crime pode até tentar aceitar crédito, mas quem acaba com o saldo negativo é o tráfico.





















